A filosofia moderna propriamente
falando iniciou-se com a teoria do conhecimento do René Descartes. Conhecido
como pai da filosofia moderna, parece que ele levou muito a sério as palavras
do Leonardo Da Vinci que diz "Quem pouca pensa, muito erra.Na Idade Média, na sociedade e na política a Palavra de Deus, considerada fonte
única do conhecimento absoluto, foi interpretada pela igreja que dominava todos
os aspectos da vida. O renascimento trouxe uma ênfase renovada no
desenvolvimento científico e na capacidade humana e a necessidade de uma nova
definição do ser humano e seu lugar no mundo. Ele declara que
o homem, ser racional por natureza, tem a capacidade de alcançar o conhecimento
e mais que isso, sua existência é definida pelo ato de pensar.Por entender ser possível chegar ao
pleno conhecimento através do processo de pensamento racional, Descartes,
idealizou um processo de dúvida metódica pelo qual através da rejeição de pensamentos ou ideias em que resida a menor dúvida o homem
seria capaz de alcançar o conhecimento. As obras do Descartes formaram a base
sobre qual os racionalistas desenvolveram seus processos.
Quando Leonardo Da Vinci afirma que
"A sabedoria é filha da experiência" ele de fato
resume em poucas palavras a crença dos empiristas ingleses cujo trabalho
antecedeu por quase um século. Francis Bacon, John Locke, David Hume
e outros pensadores contra posição aos racionalistas do continente europeu
desenvolveram e propagavam o raciocínio experimental, ou seja, a teoria de que
o único caminho pelo qual o homem pode chegar ao conhecimento é através da
experiência sensível (empírica).
Criticismo kantiano
surge no século XVIII, na confluência do
racionalismo, do empirismo e da ciência física-matemática. Seu percurso histórico está marcado pelo governo de Frederico II, a independência americana e a Revolução Francesa.
O
ponto de partida do Kantismo é o problema do conhecimento,e a ciência,tal como existe.A ciência se arranja de juízos que podem ser analíticos e sintéticos. Os juízos analíticos são fundados no princípio de identidade, o predicado aponta um atributo contido no sujeito.Kant,
por sua vez, via na possibilidade do homem chegar à perfeição um processo
natural de desenvolvimento rumo ao esclarecimento , um
processo evolução pela qual o homem atinge sua maioridade, processo que depende
não de condições externas, mas, na vontade do homem, só não tem condições de
alcançar essa independência os preguiçosos que escolhem permanecer na
minoridade sob a tutela intelectual de terceiros.
Embora enfatizando e dando destaque
alto à razão e a perfectibilidade humana, Kant e outros filósofos modernos não
fizeram nenhuma ruptura dramática dos valores religiosos da idade média. Essa
ruptura veio com os Iluministas franceses como Voltaire e Diderot que
produziram obras laicas e seculares e, por vezes extremamente críticas da ação
de igreja e sua influência opressiva na sociedade e interferência no governo.


1.ABBAGNANO, Nicola História da Filosofia, vol. VI.
Lisboa -1970: Editorial Presença. Versão eletrônica:
http://www.4shared.com/file/41469479/2b8af9b8/Nicola_Abbagnano_-_Historia
da filosofia_06.html Acesso em 31.08.2009.
A filosofia moderna coloca a razão, sujeito a exigências da fé na idade média, em liberdade e por fim à dependência do ser humano possibilitando seu esclarecimento, colocando o conhecimento ao seu alcance. Representa uma retomada do pensamento da antiguidade e libertação do conhecimento do controle da igreja poderosa dispensadora da graça divina na idade média. Embora represente um retorno do pensamento racional à supremacia, e, em particular um novo olhar ao pensamento platônico, a filosofia moderna em declarar que o conhecimento é acessível e alcançável a todos e não faz separação entre o mundo sensível das coisas e o mundo intangível das ideias. Na antiguidade Platão e Aristóteles visaram à formação de uma sociedade perfeita e feliz através da ação conjunta em prol do bem comum (ação política) na polis. Os habitantes da pólis foram considerados homens esclarecidos, esse esclarecimento foi reservado apenas os cidadãos gregos, não foram incluídos as mulheres, as classes trabalhadoras e muito menos os escravos. A filosofia moderna e o iluminismo não restringiam o conhecimento a uma elite social, religiosa ou intelectual, o colocaram ao alcance de todos que desejavam sair da minoridade, da dependência do tutelar de outros. A sociedade moderna seria o resultado do esclarecimento de todos.
ResponderExcluirAnilda Pereira dos Santos